sexta-feira, 10 de abril de 2009

Nuclear

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Antes de mais, repare-se na prepotência americana. Eles podem apontar o dedo a quem quiserem, neste caso no que diz respeito a armas nucleares. Nem discuto se o Irão as tem ou não, presumo que a Mahmoud Ahmadinejad darão jeito, pois é o único trunfo que tem contra o Ocidente. Mas como pode um país detentor de energia nuclear e de um vasto armamento (EUA são o exemplo mais evidente, mas Alemanha, Israel ou Rússia, entre outros, também entram em semelhante saco) acusar seja quem for de ser uma ameaça para a paz mundial? Não dando o exemplo, como alguém os seguirá a bem?

O Irão, ou melhor, quem tem poder no Irão também não quer chegar a um entendimento. Mostrar-se forte contra o Exterior é importante para manter a ordem no Interior, onde há muito a população está descontente, vivendo numa mistura de pobreza e drogas. Os EUA sabem bem disso, mas é importante para a sua estratégia mostrar ao Mundo uma nova cara, a cara de um Obama pacifista e revolucionário. Não sei o que vai na cabeça deste novo Presidente, mas sei que tanto os poderes americanos, como os iranianos e como os restantes envolvidos estão apenas num jogo de aparências que promete romper a qualquer momento.

Mas pretendo aqui ir ainda um pouco mais longe. É horrível que existam governos a «investir» - para mim o termo investir só deveria ser usado quando existisse um benefício a ser alcançado - em armas nucleares, mas não deixa de ser perigoso a via nuclear para produzir energia. Tanto num como noutro caso, quando parece estar tudo controlado, pode acontecer um acidente. Porque acidentes acontecem e são assim mesmo: imprevisíveis, embora uns mais que outros. Será que continuamos sem aprender com a História?
Com tantas energias alternativas já conhecidas e tantas por descobrir, continuamos a apostar nas mais potentes, sempre pensando que os danos colaterais nunca existirão.

3 comentários:

Arsénio Mota disse...

Caro Fernando Sosa:

Felicito-o francamente por este post. Perspectiva o assunto com correcção. E até poderia juntar às potências nucleares actuais, por exemplo, o Paquistão, que cada vez mais me parece um barril de pólvora prestes a explodir.
Além do mais (a advertência que faz contra os perigos do nuclear «pacífico»), o assunto que foca traz à colação algo que parece invisível: os Estados Unidos são a potência militar principal do mundo, que está presente no mundo com mais de mil bases militares, que aplica mais de vinte por cento do seu orçamento para fins militares e que, para cúmulo, tem um presidente, Obama, que proclama que o seu país está pronto para liderar o mundo. Quem lhe terá pedido isso?! Seremos de facto todos «americanos» (e não já, apenas, amigos do povo americano, que admiramos pelas suas reais qualidades)?
Eis o que, saudando-o cordialmente, posso aduzir ao seu post.

Fernando Sosa disse...

Amigo Arsénio Mota,

embora muitos gostem de ser conduzidos pelo país de todos os sonhos (e, na minha opinião, também de todos os pesadelos), existem felizmente muitos outros que estão descontentes com tal liderança.
A nova governação americana sabe disso e sabe que não só a sua ideologia como o poderio económico e, consequentemente, militar estão a ser ameaçados. Alteraram assim o discurso e estão prontos a dividir para continuar a reinar, pois é a solução que lhes resta. Vão tentando assim fortalecer a aliança com a Europa, que durante largas décadas menosprezaram.

A Ásia vai ser um ponto crucial para a estabilidade no Mundo. Mas com tantas ditaduras, umas declaras e outras disfarçadas, não perspectivo que algo de bom possa chegar ao Ocidente com uma troca no poleiro planetário.

Enquanto não chegar a verdadeira democracia a um nível global vamos andar assim: com o coração nas mãos.

Cumprimentos.

Anônimo disse...

Penso que se deveria ensinar cada vez mais a História Nacional e a História Mundial aos nossos jovens.
Talvez eles aprendessem com os erros dos nossos antepassados, talvez não se repetissem os mesmos erros, talvez os jovens se tornassem mais humanos...
Marianne