sexta-feira, 10 de abril de 2009

Devo ser eu que não percebo

Acabei de ler uma notícia no sítio do Público sobre a denúncia de uma funcionária da Loja do Cidadão de Faro, sobre uma acção de formação que impunha um determinado dress code. Em concreto, as instruções fornecidas na formação promovida pela Agência de Modernização Administrativa apontavam no sentido da proibição de uso de decotes exagerados, perfumes agressivos e gangas, segundo uma vogal do Conselho Directivo dessa agência. Já a funcionária afirma que também fazia parte das instruções a proibição de saltos altos, roupa interior escura e saias curtas.
Quem diz a verdade não sabemos, mas visto que a referida vogal veio dar esta informação após confrontada com o caso, as regras que existirão daqui para a frente serão apenas as três primeiras.

Assim eu questiono: se é usual no sector privado existir um dress code, porque é que não pode existir no sector público? Este tipo de conduta no sector privado é sinónimo de competência e profissionalismo. Não é isso que queremos quando somos atendidos no público?
E não se trata de machismo: tanto homens como mulheres devem ter uma vestimenta condizente com as expectativas dos clientes/utentes/contribuintes, dos colegas de trabalho e dos seus superiores hierárquicos.

Se estou enganado, por favor corrijam-me.

6 comentários:

Arsénio Mota disse...

Caro Fernando Sosa:

É claro que numa empresa privada ou instituição pública pode ser admissível a imposição regulamentar de um certo tipo de vestuário. Mas convém observar limites: não penetrar em dimensões do foro pessoal privado, acho eu. A forma de vestir, em geral, é como se sabe algo que caracteriza a pessoa como a sua expressão individual. Quer dizer, só em determinadas situações institucionais julgo que cabem bem tais limitações, pois de outro modo aproximamo-nos da linha que marca uma forma de censura. Aceito, portanto, o «uniforme» na medida em que o «uniforme» se justifique. Eis como vejo o assunto assim de relance. Estarei a ver mal?
Cumprimentos e congratulações por este renovo no seu/vosso blogue!

Fernando Sosa disse...

Caro Arsénio Mota,

agradeço que continue a acompanhar o blogue com notável frequência.
No que a mim me diz respeito, coloquei dois novos textos pelo desafogo em que me encontro e pela existência de umas faíscas criativas. Veremos quando terei que voltar a parar.

Mas voltando ao tema em causa, neste caso concreto não encontrei nenhum exagero nas regras de vestuário. Vejo-me a entrar em dois tipos de Lojas do Cidadão: uma em que cada qual se veste como bem entende, ora com ténis desportivos e fato de treino, ora com mini-saia e um decote apelativo; outra em que os funcionários apresentam uma vestimenta padronizada, condizente com a sua profissão e com as suas responsabilidades. Logicamente, prefiro a segunda loja, pois por muito que goste de desporto ou de mulheres, vou àquele local para ser atendido em conformidade com os serviços prestados.
Desculpe-me o exagero do exemplo, mas serve apenas para não existir dúvidas sobre a minha visão da questão. A aparência é essencial para transmitir ao cliente/utente/beneficiário uma imagem de confiança e competência.

Cumprimentos e, caso não voltemos a trocar ideias, bom fim-de-semana de Páscoa (é capaz de ter um nome religioso, mas nisso sou um perfeito ignorante).

Arsénio Mota disse...

Caro Fernando Sosa:

Pego-lhe na palavra. A Páscoa, para mim, tem origem num qualquer rito agrário, logo «pagão» (pagus = campo/camponês). Ainda hoje a simbologia associada ao rito parece festejar o renascer primaveril da natureza, a fertilidade, a renovação da vida. O que a Igreja fez neste caso foi enxertar em tempos, na tradição popular pagã, uma referência religiosa, a da Paixão e Ressurreição. Mas veja-se como tantas festividades populares ainda mantêm uma parte profana a par da religiosa!
Quanto às vestes, caro Fernando Sosa, os seus argumentos são aceitáveis. No entanto, eu, que não gosto menos de mulheres, peço-lhe licença para observar: só as mulheres bonitas (afora as excepções da regra) tendem as mostrar as suas belezas; se as virmos num ambiente institucional sério e grave, não teremos razão de sobra para as apreciarmos?! ;-)
Páscoa feliz e óptimas contemplações!

Anônimo disse...

Considero que se alguém exige um "code dress" deve começar por "pagar" um extra para que os seus funcionários se apresentem "à altura".
Por mim, dispenso o "uniforme", quero mesmo é ser bem atendida, pois o vestuário não é sinónimo de competência! Aliás, lá dizia o ditado:
- "O hábito não faz o monge!"
Já agora, meu caro, se fosse pelo vestuário, teríamos o melhor governo do mundo! Certo?
Pois é: há por aí tanta gente competente com calças de ganga, sem gravata e capaz de arregaçar as mangas e meter as mãos na massa (para trabalhar!)
Se me forçarem a usar a roupa que eles querem, certamente uma parte de mim vai morrer, a alegria com que trabalho desaparecerá, porque não serei eu que estou dentro daquele vestuário, mas alguém forçado a dizer "sim", porque está impedido de dizer "não", porque precisa do emprego e do dinheiro!
Só mais um áparte, pessoalmente não sei andar sem saltos, não sei conduzir sem eles, até os chinelos de casa e da praia têm saltos. Se me obrigarem a ir trabalhar sem os meus saltinhos, certamente farei uma figura ridícula!
É claro, que sei perfeitamente que não devo usar determinado tipo de vestuário, mas sei também que tenho de usar aquilo com que me sinto confortável. E sou eu que devo perceber e decidir o que é melhor para mim!
Além disso, hoje é com o vestuário, amanhã irão obrigar o quê mais?
Marianne

Fernando Sosa disse...

Caro Arsénio Mota,

Pego na sua referência pascoal e aproveito para celebrar então este dia: viva a Primavera! E para quem for religioso, que o dia também seja de "sol"!

Quanto à beleza humana, neste caso concreto das mulheres e em termos somente exteriores, considero que possa ser apreciada até mesmo dentro de um embrulho formal.

Farei de seguida um comentário à cara Marianne, em que também poderá encontrar mais algumas ideias sobre o tema discutido.

Cumprimentos.

Fernando Sosa disse...

Amiga Marianne,

Uma pessoa não tem que vestir fato e gravata (exemplo masculino) para ser competente, porém existem certos tipos de indumentária que são descabidos no local de trabalho, isto consoante cada profissão como é óbvio. Numa loja do cidadão exigir que não se usem perfumes agressivos, decotes exagerados e gangas parece-me, no mínimo, aceitável. Perfumes agressivos podem causar distracção e incómodo, assim como os decotes exagerados; já as gangas – que eu gosto muito de usar – não combinam, por certo, com um ambiente formal.
Seria óptimo que todos pudéssemos andar como gostássemos. Porém, estamos inseridos numa determinada sociedade, onde prevalecem determinados valores e códigos de conduta. Mais um exemplo extremo: imagine-se uma pessoa que adore vestir apenas roupa interior. Para ela sair á rua assim não tem problema algum, mas e os demais transeuntes o que pensaram? Não se deve ter em conta o ambiente em que a tal pessoa se insere?

Parece-me que a questão está a ser levada ao exagero. Vestir um determinado uniforme não é um drama. Esse uniforme existe tendo em conta a sociedade e profissão em que estamos inseridos. Parece-me que na sua grande maioria os uniformes existentes no país são perfeitamente justificáveis. Vamos a uma loja Decenio e os empregados vestem-se de forma formal; vamos a uma loja de desporto e os empregados vestem-se de forma mais desportiva; vamos ao banco e o aspecto dos que aí trabalham é logicamente formal; etc.

Para terminar, convido a que leiam a opinião de Vital Moreira em: http://causa-nossa.blogspot.com/, com o título “Um pouco mais de jornalismo, sff”, do passado dia 10 de Abril.

Cumprimentos pascoais e/ou primaveris!