domingo, 5 de abril de 2009

Peço censura

Sou da opinião que liberdade de pensamento não só é óptimo na televisão, como se deve fazer tudo para que seja sempre garantida. Em vários posts que aqui apresentei dei a perceber o meu descontentamento com a falta de isenção da Comunicação Social no nosso país, não permitindo essa tal liberdade aos telespectadores.
Contudo, hoje venho pedir censura. Mas não uma censura qualquer, desmedida ou intimidadora. Invoco hoje a censura por motivos de saúde mental e física dos cidadãos, sobretudo das crianças.

O motivo da minha preocupação é um anúncio publicitário da Coca-Cola que foi recentemente introduzido na TV. Reflecti sobre a exposição ou não desse vídeo aqui no blogue, pois não estava com muita vontade de fazer publicidade a tal empresa (recorde-se o leitor que até a má publicidade pode ser "boa" na familiarização dos consumidores com o produto). Porém, considero que os leitores deste blogue são maiores e vacinados e como tal, podem ver aqui o anúncio.

Como a Coca-Cola nos quer fazer querer, podemos levar a vida inteira a beber tal produto que vamos chegar a velhinhos. Já anteriormente tinha passado pela televisão nacional outro anúncio desta empresa em que associava jovens, desporto e Coca-Cola como um triângulo perfeito. Isto é um atentado à saúde infantil, assim como o é o IVA de 5% sobre estes produtos. Alguém me sabe dizer em que medida esta bebida é saudável?

Daqui por 30 anos, quando a esperança média de vida reduzir drasticamente graças aos péssimos hábitos alimentares destas gerações sujeitas a um marketing agressivo e sem regulação, vão dizer que não percebem como a saúde pública chegou àquele ponto. Bem, a mim parece-me bem evidente: os pais não se preocupam em educar, as entidades públicas não se interessam por regulação e aos donos dessas empresas apenas interessa o lucro (ponho-os no mesmo patamar das tabaqueiras).


E as crianças continuam a engordar, agarradas à consola, comendo hambúrgueres e bebendo refrigerantes...


Nota: não encontrei a versão portuguesa do anúncio, mas esta também não será de compreensão complexa.

4 comentários:

Arsénio Mota disse...

Caro Fernando Sosa:

Foca um assunto de enorme importância para a saúde pública. É verdade que aumentam sem parar as crianças, repito, CRIANÇAS, já com excesso de peso e patologias associadas. Entretanto, os produtos açucarados multiplicam-se e cada vez mais a gente se sedentariza. O resultado é o que se vê.
Mas o seu post aponta também para o comportamento da publicidade e até, em desespero nítido de causa, pede contenção - a imposição de uma certa censura na tv. Compreendo-o perfeitamente. É necessária uma regulação! Mas isto lembra que a Publicidade tem (ou tinha?!) código deontológico a cumprir. Entrámos na era da desregulação, do prafrentex e do vale-tudo, e agora até parece que já ninguém evoca o código deontológico da Publicidade! Se é assim, então temos esta completamente nivelada com a Propaganda. Enquanto a Publicidade quer levar o consumidor potencial ao consumo e ponto final, a Propaganda, mais insidiosa e perversa, quer conformar-deformar as consciências.
De modo que estamos nesta ordem geral de coisas e o máximo que fazemos é... denunciar os escândalos?, votar nas eleições?! Ou fazer o quê?
Desculpe a extensão do desabafo.
Cumprimentos.

Fernando Sosa disse...

Caro Arsénio Mota,

para lhe ser sincero desconhecia tal código. Mas se ainda existe deve estar a ser violado de todas as formas possíveis e imagináveis.

Não se desculpe pelo desabafo, que para minha infelicidade também o partilho de um modo geral.

Cumprimentos.

Anônimo disse...

Pois é, Fernando Sosa desta vez estamos completamente de acordo!
A Publicidade enganosa entra em nossa casa de forma cada vez mais descarada.
As pessoas e principalmente as crianças e os jovens deveriam aprender a comer de forma correcta, deveriam ter tempo para praticar desporto, enfim aprender a viver de forma saudável.
Infelizmente o que se vê é exactamente o contrário: os jovens estão sentados nas salas de aulas 35 ou 36 horas por semana e o desporto que mais praticam são os jogos do computador!
A desinformação é cada vez mais convincente!
E finalmente, os pais cada vez menos dizem NÃO aos seus filhos, é preferível mantê-los calados dando o que eles pedem, é preferível comprar tudo o que podem comprar para compensar o tempo em que os deixam sozinhos!
Os pais não brincam, nem falam com os seus filhos, não os escutam, não os apoiam, não sabem dizer NÃO, não sabem prepará-los para enfrentar as contrariedades futuras...
Pois é, deveriam começar por proibir o que faz mal à saúde...
Marianne

Fernando Sosa disse...

Cara Marianne,

acho que tocou num ponto-chave: a palavra "não" parece começar a entrar em desuso no vocabulário dos pais. E tanta falta que ela faz!
É um ciclo vicioso: a desinformação "emburrece" a população e a população não pede melhor informação. E quem mais pagará serão as gerações futuras.

Cumprimentos.