domingo, 14 de março de 2010

Hoje em dia?

Sai à rua com o nascer do Sol, parando no estabelecimento do costume para ingerir a cafeína necessária para a dinamização das primeiras horas do dia. Se apanhar um transporte rápido sobre carris aceita um qualquer jornal gratuito, aproveitando para engolir notícias curtas de fundamentação pobre e publicidade em catadupa. Caso o autocarro seja o transporte escolhido (embora de casa ao local de trabalho se possa utilizar mais que um meio), leitura pode não ser solução, para não enjoar. Assim, optasse pelos headphones, muitas vezes com o volume a indicar uma próxima surdez.

Pelo caminho praticamente ninguém se conhece. Quem não lê o jornal ou não houve música, pode brincar/comunicar com o telemóvel, ver um filme numa novidade tecnológica, dormitar ou olhar o vazio.

Já poucos serão os cavalheiros que cederão os lugares à população fisicamente menos robusta e as novas gerações nem sempre têm quem lhes ensine regras, outrora básicas, de boa educação.

Pelo meio, entre cotoveladas e tropeções não raras vezes sem pedidos de desculpa de um civismo elementar exigível, vão aparecendo os mendigos (no metropolitano habitualmente) -ou os que não querem trabalhar. Uns olham para os errantes com pena, outros com indignação, outros já não olham ou nunca olharam. E no fundo ninguém sabe como se deverá efectivamente olhar.

Chegando-se ao local de trabalho, cumpre-se o horário e volta-se para casa, com algumas interrupções para alimentação (muitas vezes a escolha recai sobre a fast-food) e para o ritual do fumo.

Com mais ou menos sono, a volta a casa repete-se da mesma forma.
Janta-se, vendo a desinformação das 20h, sozinho ou acompanhado. Escolhe-se entre a série CSI (ou outra imitação qualquer), o Futebol ou a Telenovela e assim se passa o resto do serão. Deitar mais cedo ou mais tarde pouco interessa, amanhã nasce um novo dia, que de novo nada tem…a menos que se planei um jantar fora (McDdonalds?) com uma sessão de cinema para o filme que mais publicidade tiver. Comprar uns trapos da moda também pode ser a solução para acalmar o stress da jornada de trabalho.

Chegado o fim-de-semana, entre bares, discotecas e muitas horas passadas na cama quando o Sol já vai alto, a noite de Domingo parece chegar desesperantemente depressa.
E uma nova semana começa…que de nova nada tem.


Será mesmo assim o quotidiano das novas (ou actuais?) gerações das grandes metrópoles?

6 comentários:

Arsénio Mota disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arsénio Mota disse...

Crónica feliz! Reflecte o viver quotidiano de imensas massas urbanas actuais. E aponta a nulidade de quaisquer perspectivas e horizontes. Logo, explica bem o alastrar do stress, das passividades e das solidões, dos desesperos. Lembra, p. ex., que temos mais mortes por suicídio que por acidentes de trânsito.
Para onde caminhamos, então?!
Gostei de o ler e, sobretudo, caro Fernando Sosa, de o topar aqui de regresso!
Saudações cordiais.

Fernando Sosa disse...

Muito agradeço o estímulo Caro Amigo.
Com os vossos habituais comentários (seus e da Cara Marianne) fica mais fácil escrever. Não que escreva prodigiosamente, mas pelo menos faço-o com outra vontade.

Um forte abraço.

Anônimo disse...

Pois é, caro Fernando, a vida está realmente complicada para a grande maioria das pessoas que trabalha! A rotina, a hábito e o stress estão a "enlouquecer as pessoas". As pessoas precisam de tempo para pensar, para "recarregar baterias", para ser pessoas!
Eu sinto falta de tempo para mim, para repensar a minha actividade profissional, para dedicar à minha família, para fazer uma simples caminhada!
Nesta altura, só vejo trabalho, só trabalho e quando sonho ou tenho pesadelos é com trabalho!
Nos últimos tempos não consigo escrever, nem pensar, nem sonhar acordada! E isto é péssimo!
Se me perguntarem qual é o meu maior sonho eu vou responder - o euromilhões! Mas até lá, o que eu mais queria era poder dispor de 5 ou 6 horas por semana e dedicá-las a mim mesma ou a fazer o que realmente me apetecesse!
Desculpa o tem pessimista, mas acho que aquela luzinha verde a piscar no fundo do túnel fundiu mesmo!
Marianne

Fernando Sosa disse...

Olá Cara Marianne! Prazer em vê-la!

Compreendo aquilo que aqui escreve.

No entanto, para além do tipo de casos que aponta e que eu também referi no post, existem aquelas pessoas que têm um horário de trabalho fixo não muito exigente e que têm tempo para si próprias. Porém continuam a viver alienadas no meio da multidão, sem projecto próprio, sem ambições, vivendo o dia-a-dia sem olhar o Futuro, em busca de qualquer fugaz prazer que a sociedade oferece hoje em dia incessantemente.

Um abraço e bom Domingo (espero que com tempo para descansar)!

Anônimo disse...

Gostei do texto,mas acho que sempre se pode mudar algo na
moldura da janela.
Fazer um caminho diferente,andar apé.
Conversar com quem está ao lado.
Sei lá...qualquer quebra na rotina nos ajuda a viver melhor.
Sonhar,meu querido....sempre e mais.