quinta-feira, 22 de julho de 2010

Fim de produção, mas sem encerramento ao público

Prezados leitores e visitantes,

Os autores deste vosso Caminhando por Quimera decidiram colocar um ponto final na publicação de mais posts neste espaço.

Todas as publicações continuarão visíveis, porém os comentários serão bloqueados pois já não haverá ninguém para lhes responder.

Cada qual com os seus motivos, mas no fundo porque este blogue e, especialmente, os seus fantásticos leitores mereciam outra regularidade de publicação, ao mesmo tempo que seria imperioso manter a qualidade. Qualidade essa que não é mais que dar o nosso melhor, pois certa e felizmente existe por esse Mundo fora quem esteja mais apto a produzir textos com superior qualidade.

Ao longo de mais de 2 anos o Caminhando por Quimera procurou estar atento e debater temas que envolvem e se embrenham com/na sociedade portuguesa, sempre de uma forma construtiva e com a inegável e válida ajuda de dois leitores muito especiais que merecem aqui ser nomeados: Marianne e Arsénio Mota. A vós e aos leitores que preferiram não deixar comentários, com todo o direito, um sincero e sentido Obrigado.
Tentou-se também, embora talvez de forma mais tímida, olhar sobre o resto deste Planeta, onde Portugal é apenas uma migalha.

E como portugueses que somos, abaixo poder-se-à ler um excerto de um discurso de Trindade Coelho num comício antijesuítico no Teatro Académico de Coimbra, a 7 de Maio de 1882.
Peço-vos, antes de mais, que não assumam que esse excerto exorta à auto-comiseração lusa, mas antes há necessidade de se fazer algo, não só em Portugal, como um pouco (entenda-se muito) por todo este globo!


Ah, meus Senhores, estamos constantemente com os olhos fitos na História, adoramos com entusiástico fervor a memória desses homens que em épocas passadas engrandeceram Portugal de quem eram filhos, depois de haverem assombrado o mundo com os seus feitos heróicos e altamente civilizadores.

Orgulhamo-nos de ser filhos de Portugal, sem nos lembrarmos que esse orgulho tem a sua justificação no passado, mas não tem a sua confirmação no presente.

Caminhamos sem saber por onde, perfeitamente cegos, e vamos ficando para trás na estrada do progresso, enquanto que outras nações, às quais já demos leis, avançam, altivas, olhando para nós porventura com olhos de desprezo.

E não será isto um aviltamento contra o qual temos obrigação sacratíssima de protestar?

Que entorpecimento é este que nos paralisa os movimentos e quase nos reduz à impotência?

Se a desgraçada condição a que estamos reduzidos é, como se supõe, obra da incúria dos nossos governos, forçoso é confessar que nessa incúria há muito de cobardia miserável, de desleixo profundamente antipatriótico.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Pausa ou Fim?

Não há desculpas, existem factos: a minha actividade neste espaço tem sido quase inexistente.

Como tal, ponderarei nos próximos dias se ainda faz sentido a inscrição do nome Fernando Sosa no Caminhando por Quimera.
Talvez seja tempo de fazer uma pausa, de colocar um ponto final ou, quiçá, de continuar.

De qualquer forma, agradeço a dois leitores muito especiais por toda a companhia que me têm oferecido. O seu valor é incalculável.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Diversão ou Tristeza?




Já não se pode sair à noite para ir ter com os amigos sem beber. Não beber uma água, um chá, um sumo ou até mesmo um café. Tem que ser álcool. Se as rectas começarem a ficar curvas não há problema. Beber é um acto de macho. Mas também é muito um acto de senhora, crescida, que sabe o que quer, que é independente e que consegue ser mais atrevida que os predadores.

Aos 18 anos seria cedo começar a ingerir copos atrás de copos de bebidas brancas. Mas isso é Passado: hoje começa-se aos 14, 13…ou até 12! Beber é crescer, dar nas vistas é ganhar fama e fama é sempre bom. «Ontem fui o que fiquei mais bêbado! ; Na outra noite vomitei-me todo e ao acordar outra vez. Estava todo maluco! ; Bebi 2 shots e fiz-me a ele. Não me lembro bem, mas acho que foi muito bom! ; Na outra noite perdi os documentos. Não me lembro se foi quando caí na pista de dança ou a sair do carro…» E quantas outras memoráveis frases não são ditas, elogiando as propriedades tóxicas do álcool.

Os pais fazem-se cegos, outros vão incentivando às cegas. Aos vendedores de tais bebidas pouco ou nada interessa: lucro é lucro, «não obrigamos ninguém a nada!»
Se o grupo faz o jovem também tem que fazer. Senão beber é fraco, se ficar sóbrio é ridículo. Beber é divertido porque…porque…porque sim! Não é óbvio?!

O hábito vai ficando. Da adolescência depressa se chega aos 30/40 anos, umas semanas bebendo mais e outras menos. Mas a figura ridícula aos olhos de um sóbrio, esse tal estúpido que não sabe o que perde, vai permanecendo.

Logicamente que todos podemos cometer excessos. Mas excessos compreendem-se uma vez por outra, por engano ou por loucura, não semana após semana, ano após ano.
Mas a sociedade aceita ou, talvez, mais do que isso encoraja! Fazem-se dos incautos heróis e dos moderados infelizes. Mas quantos não serão aqueles que se regarão alcoolicamente por infelicidade, impotência perante os desafios desta vida e por ignorância?

domingo, 14 de março de 2010

Hoje em dia?

Sai à rua com o nascer do Sol, parando no estabelecimento do costume para ingerir a cafeína necessária para a dinamização das primeiras horas do dia. Se apanhar um transporte rápido sobre carris aceita um qualquer jornal gratuito, aproveitando para engolir notícias curtas de fundamentação pobre e publicidade em catadupa. Caso o autocarro seja o transporte escolhido (embora de casa ao local de trabalho se possa utilizar mais que um meio), leitura pode não ser solução, para não enjoar. Assim, optasse pelos headphones, muitas vezes com o volume a indicar uma próxima surdez.

Pelo caminho praticamente ninguém se conhece. Quem não lê o jornal ou não houve música, pode brincar/comunicar com o telemóvel, ver um filme numa novidade tecnológica, dormitar ou olhar o vazio.

Já poucos serão os cavalheiros que cederão os lugares à população fisicamente menos robusta e as novas gerações nem sempre têm quem lhes ensine regras, outrora básicas, de boa educação.

Pelo meio, entre cotoveladas e tropeções não raras vezes sem pedidos de desculpa de um civismo elementar exigível, vão aparecendo os mendigos (no metropolitano habitualmente) -ou os que não querem trabalhar. Uns olham para os errantes com pena, outros com indignação, outros já não olham ou nunca olharam. E no fundo ninguém sabe como se deverá efectivamente olhar.

Chegando-se ao local de trabalho, cumpre-se o horário e volta-se para casa, com algumas interrupções para alimentação (muitas vezes a escolha recai sobre a fast-food) e para o ritual do fumo.

Com mais ou menos sono, a volta a casa repete-se da mesma forma.
Janta-se, vendo a desinformação das 20h, sozinho ou acompanhado. Escolhe-se entre a série CSI (ou outra imitação qualquer), o Futebol ou a Telenovela e assim se passa o resto do serão. Deitar mais cedo ou mais tarde pouco interessa, amanhã nasce um novo dia, que de novo nada tem…a menos que se planei um jantar fora (McDdonalds?) com uma sessão de cinema para o filme que mais publicidade tiver. Comprar uns trapos da moda também pode ser a solução para acalmar o stress da jornada de trabalho.

Chegado o fim-de-semana, entre bares, discotecas e muitas horas passadas na cama quando o Sol já vai alto, a noite de Domingo parece chegar desesperantemente depressa.
E uma nova semana começa…que de nova nada tem.


Será mesmo assim o quotidiano das novas (ou actuais?) gerações das grandes metrópoles?

domingo, 31 de janeiro de 2010

Abutres

E que tipo de abutres pairam aqui:

"Dix ressortissants américains soupçonnés d'avoir "volé" une trentaine d'enfants, ont été arrêtés vendredi 29 janvier en Haïti, a annoncé, samedi, le ministre des affaires sociales et du travail haïtien, Yves Christallin. Les dix personnes, cinq hommes et cinq femmes, ont été appréhendées en compagnie de 31 enfants, âgés de 2 mois à 12 ans, par un commissaire de police haïtien alors qu'ils allaient traverser la frontière dominicaine, a précisé le ministre."



Pode ler a notícia completa aqui.

Sem telhado



Como aqui chegaste sem-abrigo? Foram as drogas que te empurraram para o precipício? Uma grave contenda familiar originou o colapso do teu lar e foste tu o elo mais fraco? Ou terá sido um desemprego prolongado, alavancado por sem ninguém viveres? Talvez uma qualquer doença psiquiátrica tenha tornado impossível o teu relacionamento com outros de um modo socialmente aceitável… Poderá, também, ter sido uma opção própria, buscando uma qualquer liberdade a roçar o divino, planeada num momento de devaneio. Ou eras tu um antigo presidiário, que após libertado não alcançaste a tão falada, mas menos conseguida, reintegração social? Ou nada disto ou de tudo um pouco…

Afinal, de ti nada sei sem-abrigo. Apenas me fere a alma imaginar uma pessoa, de pele e osso como eu, aguentar o tormentoso vento de Inverno Boreal, assim como a chuva gélida, quiçá neve, como temperaturas negativas. E quantos não vão ficando para trás… E desses quantos serão lembrados?
E custa-me pensar que alguém pode passar por pastelarias, restaurantes e super-mercados, de estômago oco e assim continuar.
E o que será não ter o conforto de uma cama, ou um sofá que seja? Até mesmo de um simples colchão no interior de uma casa, com macios lençóis e confortável almofada...
E não poder falar com a mãe ou com o pai? Não ter um irmão ou um primo a quem contar as últimas ou discutir a banalidade que é a previsão meteorológica com base no percurso que as gaivotas levam.
E não poder tomar um banho quente, relaxante? E não poder andar na rua todo aprumado, sem que ninguém nos olhe de soslaio?

Não serão todos vós culpados; não serão todos vós inocentes. Mas terá forçosamente de perturbar, nem que apenas por um minuto que seja, qualquer cidadão consciente as condições indignas a que os sem-abrigo são diariamente sujeitos.
Mesmo vivendo no seio de uma sociedade alienada pelo ritmo inexorável de uma grande metrópole, eu sinto-me abalado. E sinto-me até envergonhado de desviar o olhar…


Foto retirada de: http://rochasousa.blogspot.com/

sábado, 23 de janeiro de 2010

Citando Ramalho Ortigão

O modo mais eficaz de seres útil à tua pátria é educares o teu filho. (Ramalho Ortigão, em "As Farpas")

E que falta fazem pais úteis a este nosso Portugal.

Robert Duncan, o artista



Chegou há dias ao meu correio electrónico um ficheiro PowerPoint de um pintor norte-americano, de seu nome Robert Duncan. E foi uma daquelas mensagens interessantíssimas que por vezes vão chegando a esse meu endereço.

Ao abrir o ficheiro, sem exageros, pensei, à primeira vista, estar a observar fotografias tal é o realismo das criações de R. Duncan. Pouco entendido sou neste ramo da Arte (em boa verdade, pouco entendido sou na Arte em geral), mas os traços das pessoas pintadas pelo artista parecem-me sublimes e combinando com a harmonia de paisagens campestres oferece ao apreciador uma sensação de serenidade e, talvez, um discreto confronto.

Pelo pouco que fui lendo sei que R. Duncan é um amante da Natureza, procurando deixar transparecer nas suas obras as virtudes de uma vida no campo, numa época em que cada vez menos pessoas pensam nisso. E por isso o aplaudo!

Se o caro leitor quiser observar as obras do artista tem aqui um bom link.