terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Basta!

Sinto que vivo num Portugal descontente. Tristes já nos encontrávamos antes desta crise financeira mundial e tristes continuamos. Não acreditamos no actual sistema político, muito por culpa dos seus habituais intervenientes. Dizemos que isto tem que mudar, que está tudo mal, chegando muitos ao ponto de dizer que faz falta um Salazar.
Porém, que vejo eu? Vejo grande parte dos eleitores a pensar em não votar e a outra parte em votar em mais do mesmo – isto é, partidos e figuras que já passaram ou que estão no poder e não satisfizeram mais que uma ínfima fracção de cidadãos. E o que acontece quando alguém se atreve a apresentar propostas de ruptura com o sistema actual? (Propostas que visam o bem-estar da população em geral e não apenas de certas classes sociais, se assim lhes quisermos chamar.) “São doidos! São sonhadores! Não passa de uma utopia! Nunca irá resultar!” São este tipo de frases que se ouvem ou lêem…

Não pretendo com isto dizer que se devam aceitar quaisquer propostas que pretendam alterar o sistema político e administrativo actual. Em vez disso, deve-se reflectir imenso sobre tais propostas, interrogar os seus impulsionadores e fazer previsões. O que não se deve fazer é maldizer tudo e todos sem sequer tentar perceber a outra parte. Chora-se e grita-se por mudança e quando alguém tenta algo inovador é logo apelidado de tantas e tão desagradáveis formas.

Bicho estranho és tu Português, não gostas do teu recente Passado, falas horrores sobre o Presente e cruzas os braços diante de um possível Futuro distinto e, quiçá, promissor. Quanto mais te batem, mais tu gostas deles…

Mas eu recuse-me a finalizar o post como qualquer outro comum português. Um Futuro melhor é possível, para Portugal e para os portugueses. É tempo de arregaçar as mangas, de combater as desigualdades, de denunciar os corruptos e, o ponto fulcral, de mudar mentalidades!

Acorda Portugal!

3 comentários:

Anônimo disse...

Portugal está cada vez mais descontente, porque quase todos os portugueses estão a sentir necessidades, fome, miséria...
O Zé portuga já nem consegue sonhar!
Um futuro melhor para Portugal e para os portugueses seria possível, se quem se governa estabelecesse limites para os seus salários, para as suas regalias e fosse justo! Se quem exige, fosse o primeiro a dar o exemplo! Se a lei e a justiça fossem realmente aplicadas!
Arregaçar as mangas, é possível: os portugueses sempre navegaram por mares desconhecidos e perigosos!
Combater as desigualdades? Com que armas? O Zé portuga não poderá nunca enfrentar os seus donos!
Denunciar os corruptos? Todos sabemos qual é a verdade! Ninguém tem provas e quem as tem é afastado!
Mudar mentalidades? Como? Se eles nem querem que se ensine os alunos a pensar!
Meu caro, o Zé portuga está tão fragilizado, que já só pensa em ter o seu trabalhinho para dar de comer ao seu filhinho!
O Zé portuga está de rastos, sem alento, sem vontade, só quer ter saúde e trabalho e comida. O resto, paciência!
O seu único sonho é que a crise não lhe bata à porta em forma de doença ou de desemprego!
Marianne

Arsenio Mota disse...

Caro Fernando Sosa:

Passei uns dias ausente devido a mudanças, por isso tardei a ler este post. Saudo-o com satisfação. Concordo bem com ele e também com a reflexão de Marianne. Vocês ambos vêem claramente o problema: os tugas, no conjunto nacional, atiram-nos para o desespero.
Eu já andei a culpar os políticos, até que tive que lhes juntar quem neles vota maioritariamente. Já lá vai um tempo! Depois os políticos passaram a ser de quinta ou sexta escolha partidária e as coisas pioraram mais. Quem neles vota cada vez percebe menos e os políticos em funções rejubilam à maravilha. É um maná e tudo está a ficar devidamente controlado, em devidas mãos. Onde já vai o 25 de Abril, a democratização? Quem aspira por Salazar pode festejar, já pode saúdá-lo de braço estendido, viva o poder despótico!
Claro, quem não goste, emigre. Está provado que qualquer tuga, repito, qualquer, logo que salte a fronteira nacional, fica outro. Verdadeiramente outro! De modo que, se quisermos emendar o povo portuga, façamo-lo sair para fora de portas... Aqui dentro não parece ter remissão (haja em vista o nosso passado histórico, a quantidade de autores que se pronunciaram sobre os avatares do nosso povo)...
Abraço muito cordial.

Fernando Sosa disse...

Caros amigos,

agradeço as vossas visitas depois de um período considerável em que estive ausente da "blogosfera".

Quanto aos vossos sempre esclarecidos comentários, permitam-me a ousadia de tentar divergir desta corrente pessimista que envolve os portugueses.
Considero que é quando mais nos vimos privados daquilo que consideramos básico no nosso dia-a-dia que o grito de revolta pode surgir com maior eco. Face a uma situação desesperante não devemos baixar os braços, mas lutar para dela escapar, com dignidade preferencialmente.

Qualquer um pode apontar o dedo às ideias deste "jovem ingénuo", mas eu sou o único que decido se me resigno à situação ou se continuo a lutar por um Portugal e, porque não, um Mundo melhor. E, ainda assim, eu não sou diferente dos demais: todos nós temos este poder e aqueles que agem de boa fé nunca dele deveriam abdicar.

Derrota após derrota continuo a acreditar que a vitória chegará um dia.

Cumprimentos.