Imagine-mos, então, que alguém estaria disposto a resolver os meus problemas financeiros a troco de algo muito especial: a minha história. Como que se com uma determinada quantia de dinheiro pudesse usufruir do meu passado, do meu nome, dos meus valores. Por mais desesperante que fosse a situação a resposta deveria ser NÃO! Porque existem coisas nesta vida que não têm preço.
Estas linhas podem parecer ridículas, mas foram apenas uma introdução. É que o Governo prepara-se para alterar o regime geral dos bens de domínio público, como os caros leitores já deverão ter conhecimento. Caso a triste ideia avance, o Estado poderá ver entrada de receitas através da utilização por privados de monumentos históricos e, até, poderá existir alienação desses bens nacionais, que para mim são de valor incalculável.
Não basta a comercialização dos espaços de Lisboa, sedenta de recursos, agora a ideia é o alargamento aos restantes símbolos nacionais. Podem até dizer que, na prática, apenas alguns monumentos com menos relevo (é o Governo que avalia tal importância?) serão abrangidos, evitando até que sejam condenados ao desaparecimento através da falta de manutenção. E é verdade que há por este país fora alguns locais históricos, ao nível dos municípios, que poderiam ser rentabilizados e mantidos por privados, desde que delimitadas as alterações físicas possíveis. No entanto, ao que parece este novo regime não fará qualquer distinção nem nomeará excepções entre os capítulos físicos da nossa História.
Existem elementos de um país que não se podem vender ou arrendar. São parte de todos nós e nós devemo-nos recusar a ser vendidos!

3 comentários:
Caro Fernando Sosa:
Ainda bem que levanta a questão, nesses ajustados termos! Merece toda a concordância e aplauso, pois há heranças do passado que se tornam inalienáveis sob pena de mutilação de ser colectivo que somos!
Contudo, neste país a viver há tantos anos acima das suas reais possibilidades, talvez tenhamos de estranhar apenas que ainda reste alguma coisinha para trocar por uns patacos. A especulação financeira quer aplicações chorudas, os ministros e o Governo atendem... e vão tapando uns buracos. Mas... e quando já não houver mais nada para vender nem ajudas comunitárias?!
Pois é, já vou ouvindo a toleima: «os Espanhóis vêm aí». Respondo: mas eles já cá estão... e estão da forma que lhes convém, pois claro, não na forma de nosso Pai Natal (crianças grandes ainda acreditam no Pai Natal!) que estão para aí a sonhar...
Caro Fernando Sosa, desejo-lhe Boas Festas!
Bom, se relativamente à questão de fundo deste último texto estamos de acordo, resta-me também desejar-lhe o tradicional Feliz Natal e Bom Ano Novo.
Cumprimentos.
Quem não demonstra ética pessoal, nem profissional, também não poderá mostrar "ética histórica". Este termo que me surgiu exactamente neste momento, significa a história do nosso país e a história de todos os portugueses. Portugal tem uma das mais lindas histórias de vida, que muitos não conhecem, outros já esqueceram e outros pretendem esconder.
Feliz Natal.
Um excelente Ano Novo.
Marianne
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