Afinal o Diário Económico não conta apenas as novas económicas e assuntos relacionados. Ao ler a edição de hoje fiquei a saber que também mistura comédia. Não estou a fazer uma crítica ao referido jornal, muito pelo contrário, já que sou um apreciador das suas publicações. Então a que me refiro? Bom, dentro de toda a seriedade que o jornal dá aos seus artigos, hoje encontrei entre as suas páginas uma notícia que me fez rir aquando da leitura de vários parágrafos.
Para quem não sabe, o músico e activista Bob Geldof esteve terça-feira em Lisboa, a convite do BES, para falar de desenvolvimento sustentável. Entre o seu discurso deixou um espaço para atacar Angola, afirmando que à frente do país está um “bando de criminosos”. Até aqui nenhum motivo para rir. Entre caretas de desagrado e espanto, o embaixador angolano em Portugal abandonou de imediato a sala, segundo a Lusa. Perfeitamente normal pela “novidade” que tinha acabado de ouvir.
A resposta oficial angolana não tardou e ontem de manhã o ministro-adjunto do primeiro-ministro angolano, Aguinaldo Jaime, respondeu às críticas de Geldof. Outra coisa não seria de esperar do Governo Angolano. Quando a Al Jazeera numa reportagem recente se referiu a Portugal e à sua capital como locais de corrupção também vieram portugueses defender o bom-nome (já foi já…) da nação. É claro que sabemos que somos um país corrupto e todos os estudos apontam nesse sentido, mas compreende-se que seja vital para o país a refutação dessa imagem para que turistas e investidores estrangeiros não caminhem para outras paragens.
Mas o interesse está no tipo de defesa que Aguinaldo Jaime tentou usar. Interrogado sobre se as acusações de Geldof derivam apenas da ignorância deste último sobre o país africano, Aguinaldo começa por dizer que para além de desconhecimento, “Estão a acontecer coisas muito importantes em Angola. A economia tem registado elevados ritmos de crescimento. Entre 2002 e 2007, o PIB cresceu a uma taxa média de 14,8%”. E é aqui que aprendemos uma coisa nova: a corrupção decresce com o nível de crescimento do PIB de um país. Fantástico! Eu a pensar que o crescimento de Angola se devia apenas ao facto de ter com fartura ouro negro (80% do PIB) e diamantes, mas afinal baixar a corrupção é que é o grande motor de arranque de tão notável crescimento. Muito boa desculpa sim Sr. Ministro-adjunto…
O sábio angolano não se fica por aqui: “Se me perguntar se existe alguma sociedade no mundo imune a este fenómeno (corrupção), dir-lhe-ia que não”. Esta desculpa também costuma ser muito usada… pelas criancinhas: “Oh mamã, mas os outros meninos também fazem asneiras!”.
Para acabar com as dúvidas sobre a fabulosa democracia angolana Aguinaldo afirma que não há mais corrupção em Angola do que noutros países comparáveis. Mas o que são países comparáveis?! Vejamos aleatoriamente… Zimbabué?! É que se for esse tipo de comparação até compreendo, já que em 2003 o índice de corrupção internacional Transparency International’s Corruption Perception Índex considerou estes dois países os mais corruptos do sul de África. Numa escala de 0 a 10 – 0 equivale ao maior nível de corrupção – Angola tem uma pontuação de 1,8. A mesma organização considerou Angola o 21.º país mais corrupto do Mundo. Cá para mim foi o mentiroso do Geldof que elaborou este estudo.
Como nota final, refira-se que o BES já se demarcou da posição do músico. Os investimentos em Angola não se podem perder assim…
Um comentário:
Enquanto os corruptos, ou os seus herdeiros, não forem obrigados a pagar tudo o que roubam, a corrupção não baixa! Antes pelo contrário, sobe!
Marianne
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