segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Nosso Tejo


Cortando o Tejo do Barreiro ao Terreiro do Paço são cerca de vinte minutos, sem esforçar as hélices; se em vez da Soflusa escolhermos a Transtejo e partirmos do Cais do Seixalhinho, Montijo, com destino ao Cais do Sodré não chega a ser necessária meia hora para completar a viagem; se a partida se der em Cacilhas, o tempo que se demora a atracar é quase o mesmo da curta viagem. Por qualquer um destes percursos acabamos por avistar: “a carga pronta metida nos contentores”; grandes embarcações atracadas ou efectuando operações a meio do rio, com as maiores destas já bloqueando a paisagem; por vezes, até uma nuvem cinza e sombria bem rente aos edifícios, entre os quais marcos históricos, como que engolindo-os através de uma mistela de gases poluentes. Tudo isto se pode avistar no lado alfacinha.




Adjacente a Almada podemos vislumbrar o que resta do Estaleiro da Margueira, onde em tempos laboraram assalariados da Lisnave; no Barreiro, bem junto à água, temos vários edifícios de indústria química, com os quais uma amigo meu uma vez se assustou ao passar no Tejo pela primeira vez; talvez a imagem menos desagradável esteja ligada ao Montijo, onde se encontra a Base Aérea, podendo até certos admiradores da aeronáutica ficar regalados.


Na imagem acima podemos observar parte da estrutura da antiga Lisnave, ainda que muito ao longe (para quem ainda não viu, procure mais sobre a esquerda uma estrutura rectangular de grandes dimensões, se assim posso usar essa denominação geométrica)


Nesta última fotografia vê-se claramente a indústria barreirense


Tudo isto para dizer que embora a travessia do maior rio da Península Ibérica ainda conserve várias maravilhas (Cristo Rei, a histórica Ponte 25 de Abril, o vislumbrar da capital em dia de céu limpo ou até mesmo durante a noite, entre outras visões consoante os gostos) não sei até que ponto a expansão do Porto de Lisboa e a construção da nova ponte podem denegrir assim tanto a paisagem. Em boa verdade ainda não tive a oportunidade de ver os pormenores de ambos os projectos em papel, na televisão ou na Internet. Mas se alguém já os viu talvez queira ter a bondade de me elucidar – não custa nada pedir.

Resta-me acrescentar que não estou aqui a advogar contra ou a favor destas obras, até porque teria de fazer um longo confronto de custos/benefícios para a sociedade e para a economia, o que se tornaria num post dentro de um post.


Nota: as duas últimas fotografias foram retiradas do seguinte sítio: http://www.anmpn.pt/

3 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, meu caro Fernando, além do texto directo, realista e saudosista, ficamos maravilhados com as imagens espectaculares do nosso rio Tejo e suas margens!
É sempre bom valorizar o que é nosso e "ver" que ainda temos coisas das quais nos podemos orgulhar!
Quanto à nova ponte, nem me atrevo a pensar em custos, mas há um facto que salta à vista: Lisboa não tem capacidadade para receber mais automóveis, nem tem estacionamentos, por isso, não sei se será mesmo viável um investimento tão grande numa altura em que o Zé Portuga é obrigado a apertar o cinto, até sentir fome!
Marianne

Fernando Sosa disse...

Bem dito, cara Marianne. Quanto à nova ponte levantam-se a dúvida do costume, como no caso do TGV: precisamos mesmo daquilo?

Cumprimentos

Arsenio Mota disse...

Mesmo longe de Lisboa e, portanto, de pretender discutir a melhor utilização possível das suas margens, não posso deixar de sublinhar a necessidade que todos temos de intervir na discussão pública dos projectos em curso, apelando constantemente para análises e conclusões claras como Fernando Sosa faz. Sem esquecer que uma pessoa poderá saber muito, mas que duas dezenas de pessoas saberão mais e que todos juntos saberemos «tudo» quanto é possível saber em cada momento. O que nos impede, pois, de nos juntarmos todo em diálogo vivo para atingirmos conclusões esclarecidas?!
Quanto ao TGV e outras megalomanias, estamos entendidos...
Saudações.