sábado, 20 de setembro de 2008

De Sorumbático para aqui II

Tal como no último post, apresento aqui mais um texto premiado pelo blog Sorumbático - para ver o passatempo podem clicar aqui.


«Ao contemplarmos tal imagem podem-se cruzar vários pensamentos: se formos mais dados ao ambientalismo estaremos a ver a carnificina de um belo ser; no caso de alguém prepotente, avistará apenas o chamado Terceiro Mundo; se nos interessarmos por outras culturas, depressa associaremos a fotografia a uma determinada tradição… No entanto, desta vez prefiro centrar-me num aspecto diferente – não que outros também não dirijam para aí o seu raciocínio –, escolho a Criança.
Não precisa ser a que chora desmazeladamente, nem tão pouco a que a reconforta: falo da Criança que tanto pode ser negra como de outra cor qualquer, tobaguense ou francesa, pobre ou mais afortunada, etc. Quero assim aproveitar para tocar num assunto que tanto me transtorna, me chega até a repugnar. É o conceito adquirido pela sociedade ocidental de que a vida humana não vale o mesmo em todo o Mundo, neste caso concreto a vida e alegria da Criança. Por exemplo, será que as crianças que morreram no fatídico 11 de Setembro de 2001 foram em maior número do que aquelas que têm morrido no Iraque desde a 1ª Guerra do Golfo até agora? Nem perto disso. Aliás, em termos estritamente numéricos, as cerca de 3 mil (foram lançados muitos palpites sobre o verdadeiro número) vítimas do 11/09/01 são como uma migalha comparando com o que se tem verificado no Iraque há já quase duas décadas. Para muitos estas minhas afirmações são bárbaras e uma afronta, mas a verdade é que não me limito a olhar aquilo que a televisão me concede, nem muito menos uso palas.
É claro que num só ataque fazerem-se tantas vítimas e destruírem-se símbolos da única superpotência mundial é algo aterrador e, mais do que isso, verdadeiramente condenável. Mas então e destruir um país com milhões de habitantes, quer através da acção directa da guerra, quer através de embargos?
Mas voltando aos seres inocentes e sagrados que deveriam ser as crianças, nunca saberemos ao certo quantas faleceram e vão definhando Iraque fora. Numa altura em que se fazia sentir cruelmente a miséria junto das crianças iraquianas através do já referido embargo, mais concretamente em 1996, Madeleine Albright, então embaixadora dos EUA na ONU, foi entrevistada por Leslie Stahl (CBS). Uma parte do diálogo, pelos mais atentos ainda relembrada, saltou à vista. Quando interrogada sobre a necessidade de morrerem meio milhão de crianças vítimas do bloqueio, Albright respondeu da seguinte forma: “Foi uma escolha difícil, mas pensamos que o preço a pagar vale a pena.” Será que os familiares destas crianças têm a mesma opinião?! Como é possível chegar a esta fereza?!

Perdoem a minha insistência em relacionar tal foto com aspectos bélicos e políticos. Mas é somente por achar que todas as crianças deste Mundo merecerem educação e saúde que lhes permitam serem melhores do que os seus bárbaros antecessores.


"A criança é o pai do homem."
William Wordsworth»

Um comentário:

Anônimo disse...

Penso que a grande maioria dos homens esqueceu o que é ser criança, esqueceu o que é viver e ser feliz, esqueceu o que é brincar, esqueceu mesmo a palavra criança!
Parece-me que o homem esqueceu que as crianças são os homens de amanhã e que se tiverem uma infância feliz poderão ser pessoas felizes!
Há que unir esforços para tornar todas as crianças felizes!
Marianne