sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O Primeiro-Ministro não ganha aquilo que devia

Muitos defendem que os ordenados pagos aos políticos (desde ministros a deputados, passando por vários outros cargos) são exagerados. "É uma vergonha!", dizem repetidamente. Bom, eu estou aqui para falar numa remuneração em especial: a do Primeiro-Ministro. Não a de José Sócrates, mas a de qualquer um que ocupe esse cargo tão importante no país.


Também penso que um ordenado à volta dos 5 mil euros (corrijam-me se estou em erro, pois não tenho a certeza quanto serão 75% da remuneração do Presidente da República) é desajustado para um dos cargos mais importantes da nação. 5 mil euros é uma vergonha sem dúvida! Uma vergonha por ser tão baixo. Sim, atirem-me já com os tomates e ovos, mas eu continuo: regra geral um ferreiro é ferreiro 8h por dia, um canalizador é canalizador 8h por dia, um lojista é lojista 8h por dia, etc. Quantas horas por dia o Primeiro-Ministro exerce o seu cargo? 24h! Sim, 24h! Ou julgam que tal função dá direito a vida própria? O homem (ou mulher) acorda Primeiro-Ministro e adormece Primeiro-Ministro. E quando acorda a meio da noite? Primeiro-Ministro!


Passemos agora a outro ponto da questão, pois há muita gente a fazer horas extraordinárias que não recebe nem mil euros. Comandar o Governo de um país, embora a força económica das multinacionais se continue a acentuar e a maniatar várias jogadas dos Estados, é uma tarefa de uma responsabilidade extrema. Tem boa parte da vida dos cidadãos nas mãos. Tudo o que ele diga e muito do que ele faça, tem reflexo na sociedade em que estamos inseridos. Cada passo errado tem custos enormes: a pressão deverá ser esmagadora.
As relações com as nações estrangeiras também lhe estão intimamente ligadas. Vejamos que há poucos meses atrás Sócrates (como poderia ser Santana, Durão ou Guterres, só para nomear os mais recentes) era o Presidente do Conselho Europeu.


Então qual o sentido de outros cargos públicos serem tão ou melhor remunerados? Como queremos ter políticos capazes se o sector privado oferece remunerações tão superiores? É certo que queremos políticos com sentido patriótico, mas também não podemos ser assim tão ingénuos.


Hoje não peço aumento das pensões, nem do salário mínimo nacional: peço o aumento para o Primeiro-Ministro.





PS: há algum tempo que vinha pensando neste tema, mas o despertar deu-se quando ouvi um professor universitário tocar no mesmo assunto.

2 comentários:

Anônimo disse...

O problema não é o que o 1.º ministro ganha em teoria, mas o que continua a ganhar na prática. Não podemos esquecer-nos das mega regalias que todos os políticos acumulam!
Governam (ou desgovernam) o país durante um ou dois mandatos, levam mega reformas, que vão acumulando e continuam a exercer outros cargos!
Se compararmos com os políticos de outros países, uns ganham mais, outros menos!
Mas num país como o nosso onde se exigem tantos sacríficios aos portugas, talvez fosse bom dar o exemplo.
Se nos pedem que trabalhemos até aos 65 anos, sem condições mínimas de sobrevivência, a fazer descontos monstruosos sem regalias, a pagar um dos Ivas mais altos, sem condições mínimas de saúde...
Agora, se compararmos com os gerentes e administradores daquelas empresas, aí os nossos políticos estão mal pagos!
Se compararamos com alguns futebolistas, aí eles continuam a estar mal pagos!
No entanto, se os portugas só têm dívidas, isso deve-se ao desgoverno dos políticos que têm estado à frente do país!
Por todos os lados só se encontram pessoas descontentes, desempregadas, subempregadas, a trabalhar a recibos verdes ou nem isso!
Concluindo, com um país quase afundado, não podem exigir mais aumentos!
Aliás, em Espanha, os políticos congelaram os seus salários e respectivas carreiras, devido à crise!
O meu louvor para esses políticos, verdadeiros Homens (com H maiscúlo)!
Marianne

Fernando Sosa disse...

Começando por Espanha, desconfio mais de jogada política do que de patriotismo.

Voltando a Portugal, e considerando-me um verdadeiro patriota, continuo a achar que exigir patriotismo a mais a altos cargos públicos e dando remunerações (e que se incluam as regalias) que não correspondem à importância de tais cargos não é uma boa aposta. Logo porque os incentivos à corrupção são maiores e esse é um mal que temos um pouco por toda a parte.

Quanto ao desempenho dos nossos governos, já era um assunto por onde não queria entrar no post, por que estaremos a particularizar situações e eu queria-me referir especificamente ao cargo de Primeiro-Ministro, que pode ser ocupado por diferentes pessoas.


Mas passando então um pouco ao lado do post, concordo que o IVA é demasiado elevado (já basta ser um imposto que é sentido pelos pobre muito mais do que pelos ricos - imposto regressivo). Também concordo que têm sido exigidos muitos esforços, mas se os Governos passados têm culpas, os cidadãos também não ficam assim tão isentos. O crédito fácil, a inveja e a ganância apenas poderiam dar naquilo que hoje se vê...


Bom, acho que se fossemos ver bem todos os problemas íamos quase sempre parar ao mesmo sítio: Educação.

Talvez num outro post...


Cumprimentos