
Caros leitores,
Este post poder-vos-à parecer agressivo e contra a corrente da "democracia" a que nos habituámos. Se após o lerem pensarem da seguinte forma, então terei atingido o meu objectivo: mexer contra ideias perversas instaladas, mesmo que estejam ligadas ao subconsciente. Caso aquilo que abaixo escrevo não vos seja nada estranho, melhor ainda: já reflectiram sobre o assunto e consideraram hipóteses. Poderá certamente haver um terceiro tipo de leitores que não estes já descritos. Se for esse o seu caso, será com todo o gosto que receberei o seu comentário, se assim o desejar fazer.
Já agora, lamento a excessiva extensão do texto, mas o assunto assume tanta importância que necessitei de ilustrar um pouco mais do que o costume certas opiniões. Caso tenham a coragem de o ler até ao fim, obrigado!
As recentes sondagens anunciadas na Comunicação Social sobre as intenções de voto dos portugueses no que às legislativas diz respeito têm revelado um decréscimo da percentagem socialista. Essa percentagem um pouco abaixo do nível de maioria absoluta é um espanto, tanto para mim como para os jornalistas. Primeiro o espanto destes últimos: fazem com que tais resultados sejam uma novidade, como se existissem sólidos argumentos para defender a governação socialista. Agora o meu espanto: como é que ainda existe uma parcela tão grande de eleitores dispostos a votar em tons rosa?! Quantas (algumas descaradas) suspeitas existem sobre a actuação de Sócrates à margem da lei? Como é que alguém acredita que o TGV entre Lisboa e Porto é útil e urgente? Como ninguém se indigna verdadeiramente com as derrapagens orçamentais das obras públicas? Como é que alguém acha que o processo de negociação com os professores está a ser bem conduzido? Alguém pensa que estão a ser feitos esforços sérios para prevenir a criminalidade? Ninguém acha que a Justiça deve ser completamente reformada?
Poderia continuar com as questões até se esgotar o espaço no blogue. É verdade que existem os militantes socialistas, os ignorantes, os ingénuos e os que procuram o afamado «tacho», porém custa-me acreditar que sejam suficientes para tornar as sondagens em realidade. Será mesmo possível? Ah, certo, esqueci-me de um ponto-chave: a Comunicação Social não é livre e deturpa constantemente a realidade, subjugando assim as mentes menos atentas dos portugueses. Mas ainda assim, é graças a estes factores que o PS consegue uma tão grande percentagem de intenções de voto? Recuso-me a acreditar que existem tão poucos cidadãos com sentido de responsabilidade e inteligência - espero não estar enganado.
Mas não nos fiquemos pelos socialistas. Quem vota nos sociais-democratas ou procura igualmente um «job» ou também deve estar alienado. PSD e PS confundem-se partilhando muitos defeitos e raras virtudes, se é que as há. Os de laranja já estiveram no Governo e demonstraram não estar à altura de Portugal (ou melhor, daquilo que este país deveria ambicionar: crescimento e desenvolvimento económico em sentido claramente convergente com a média comunitária, possibilidades iguais para todos no acesso à Educação, contas públicas equilibradas e transparentes, redução drástica dos níveis de pobreza, etc.). Tal como o PS, não existe neste partido um plano estratégico de Médio/Longo Prazo definido para o País.
Ligeiramente mais à direita, mas cada vez menos, está o partido de Paulo Portas. Estes também não mostraram serviço no Governo e não se conseguem libertar do actual líder. Já antes aqui fiz alusão à fraca distinção entre Portas e o PP.
O irmão mais novo de Miguel Portas é de crítica fácil ao Governo e pouco mais. Felizmente, este parece enganar cada vez menos gente.
Temos também um Partido Comunista ideologicamente falido. Vivem de grandes questões discutidas há cerca de um século. Têm o "dom" da crítica mais fácil e inútil que por cá se vai fazendo, incorporando nas suas fileiras «boys» com «jobs» em autarquias comunistas, desempregados e trabalhadores explorados que vivem em desespero e, ainda, gentes que acreditam em tudo o que é dizer mal de quem tem rendimentos superiores. Quantas propostas viáveis apresentou o PCP durante o mandato de Sócrates? A conversa é sempre a mesma: menos desemprego e aumentos dos salários. Agora explicar como tal pode ser executado de forma racional é que se torna mais complicado...
Agora, aquilo que considero hoje um perigo crescente: aumento de confiança dos portugueses no BE. E considero tal aumento perigoso muito por culpa do seu líder: apesar de ser um economista brilhante e respeitado, com um vasto trabalho realizado na área, é um político tão ou mais desprezível que os de outros partidos presentes na A.R.. Isto porque sendo detentor de um enorme conhecimento sobre Economia, ao contrário de Sócrates, Portas ou Jerónimo de Sousa - mesmo que estes tenham muito bons conselheiros/assessores, num debate com Louçã partem em desvantagem no que diz respeito à vertente económica -, teima em mentir aos portugueses, propondo medidas completamente inviáveis economicamente. Já aqui o tinha referido quando Louçã propôs aumentar a taxa de IRS sobre o escalão mais elevado e poderia ter continuado a «postar» sobre as suas propositadas falácias económicas. Também João Duque há umas poucas semanas o desmascarou através de um artigo de opinião no Diário Económico, quando Louçã «confundiu» capital próprio com passivo no caso BPN e também pelo bloquista ter usado uma metáfora com coelhos e notas (afirmou que duas notas juntas numa caixa não fazem nada, mas um coelho e uma coelha fazem coelhinhos; deliberadamente trocou os conceitos de dinheiro e de capital).
Dizendo autênticas barbaridades em contextos que domina perfeitamente revela apenas uma coisa: caça ao voto pura e dura. O PS sabe que os bloquistas vão ser determinantes para a obtenção ou não da maioria absoluta. Um discurso voltado para a Esquerda tenta estancar a corrente favorável ao BE e sempre de olho no demagogo Manuel Alegre.
Resumindo: temos 4 partidos com mais do mesmo e uma novidade que é o BE, excluindo assim todos os restantes partidos que não têm hipótese de disputar tempo de antena, para prejuízo dos portugueses no que a alternativas diz respeito. Temo que se a tal novidade chegar ao Governo depressa deixa de o ser - pondo assim de parte o por demais negro cenário de serem ainda piores que a governação já existente.
Este é o meu apelo aos leitores, que, é verdade, vale o que vale: no dia das legislativas não fiquem em casa e votem, pois é um direito que outrora não existia. Porém, pensem bem se quiserem votar nestes partidos de que falei. Estes não têm demonstrado honestidade, dignidade e competência nas funções que desempenham. Mais, correndo o risco de ser arrogante, quem quiser defender aqui qualquer um destes partidos que o faça: de maneira pronta quebrarei tal defesa com a certeza que estes não lutam pelo bem da nação e dos seus cidadãos.
Tentem ver para além destes cinco grupos partidários, vejam se existem outras alternativas. O facto de a Comunicação Social se recusar a noticiar propostas de outros partidos menores não significa que essas não possam ter valor. Avaliem vocês próprios e não deixem que ninguém tente ser o vosso cérebro.
Em último caso há sempre o voto em branco, que na minha opinião é uma forma de expressão tão respeitosa como as restantes.
PS: Este post foi elaborado como se inúmeros leitores o fossem apreciar. Porém, fica aqui o fútil (ou não) esforço de contribuir para um Portugal mais sério e capaz.
4 comentários:
Caro Fernando Sosa:
A leitura deste seu post deixou-me pensativo. Desde ontem. Acho-o perfeitamente oportuno e muito sincero, a revelar quanto o autor se preocupa com os avatares deste país. Concordo bem consigo, o projecto da nossa democracia está longe longe de esgotamento, pois, pelo contrário, precisa de ser aprofundada com autêntico critério democrático. Fernando Sosa foca a questão das próximas eleições, isso não passa, para mim, de mera rotina do sistema e sujeita a regras que tendem a beneficiar o mais forte... na propaganda. Permita-me porém não o acompanhar por inteiro na consideração que faz do BE e do PCP. Isso é a esquerda que resta, varrê-la da liça parece «entregar o jogo» à direita de mão beijada. Claro, eu julgo que já lhe conheço as opiniões para não me enganar! Mas também estamos perante estratégias eleitorais! Votar branco, sim, exprime algo (que para nós significa e vale qualquer coisa!), mas, em geral, veja o resultado que alcançaríamos! Seria bom?
Desculpe a extensão deste «diálogo» e o mais que fica.
Só falta dizer que o felicito por mais este post.
Saudações cordiais.
Eu não votarei em branco, porque tive a oportunidade de conhecer algo mais para além dos partidos que têm condições para fazer propaganda a nível nacional. Porém, acho preferível votar em branco do que em alguém/algo que não merece voto algum. Se não se formar Governo, se o impasse for esmagador, terão que se encontrar alternativas ao habitual, ou seja, uma mudança. Pode até ser para pior, mas sem tentar mudar nunca se saberá.
Pois, como já sabe não sou muito a favor da simples distinção esquerda VS direita. Acho que qualquer partido, que se intitule seja como for, deve-se interessar em apresentar as melhores soluções para o país e não estar preocupado com rótulos. Porém, esses grandes partidos, e especialmente os de esquerda, pouco se preocupam em basear em estudos e avaliações sérias as medidas que propõem de peito cheio. Isso não é tentar ajudar o povo, é tentar engana-lo. Mas esta é somente a minha humilde opinião.
Cumprimentos e obrigado pela paciência despendida na leitura do texto.
Para concluir, diria que a nossa classe política está cada vez mais desonesta, mais desacreditada, mas que infelizmente, muitos vão votar no mesmo, por não terem alternativa melhor! Outros votarão em branco, ou nem sequer irão votar (não concordo com estas 2 facetas), o que dará vantagem a quem usa de forma útil o seu voto!
Penso que o direito de voto deverá ser usado da forma mais correcta e útil, essa é a forma de expressar a nossa opinião!
Peço a todos que usufruam do seu direito de voto, enquanto for possível fazê-lo.
Marianne
Cara Marianne,
acho que já discutimos algures a utilidade do voto em branco e, como tal, não irei aqui replicar a minha opinião.
Resta-me agradecer também a sua paciência na leitura do texto.
Cumprimentos.
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