sábado, 28 de fevereiro de 2009

Desinformação

Não soubesse eu que estava num país corrupto e que a Comunicação Social que por aqui se encontra é fiel aos "patrões", até ficava admirado que uma queixa-crime contra José Sá Fernandes, o incorruptível defensor da justiça e pureza (versão Al Jazeera), não merecesse metade do destaque da condenação de Domingos Névoa (aquele senhor que tentou corromper o incorruptível com 200 mil euros, para que este último desistisse da acção popular com que pretendia anular o negócio de permuta dos terrenos do Parque Mayer pelos da Feira Popular). Diga-se, que a triste sentença que condena este empresário a pagar 5 mil euros também não mereceu o devido destaque. Mas também num país em que o Primeiro-Ministro tem o passado que tem...

O caro leitor deve-se estar agora a perguntar que queixa-crime foi essa. É normal que não saiba: não se viu na televisão, quase nenhum jornal publicou (excepções que eu conheça, pelo menos via Internet: Sol e Destak) e dificilmente se ouviu na rádio.
Então, sinto-me agora no direito de fazer aquilo que a Comunicação Social deveria fazer: informar. No passado dia 10 de Fevereiro o presidente do Movimento Mérito e Sociedade, Prof. Eduardo Correia, foi recebido pelo Procurador-geral da República. Nessa reunião um dos temas abordado foi, segundo o MMS, a perseguição feita à propaganda política do partido pela parte da Câmara Municipal de Lisboa, por intermédio do vereador José Sá Fernandes. Foi também entregue nessa reunião uma queixa-crime contra o referido vereador. (O leitor poderá aceder a esse documento aqui, caso queira aprofundar o conhecimento sobre este tema. O meu papel aqui é apenas informá-lo da queixa-crime em questão e nunca proferir uma sentença. Poderá assim formar a sua opinião com maior liberdade, se assim o desejar.)

Ora, será que uma queixa-crime que tem por base uma acusação de violação de liberdade de expressão de um partido político legal não é suficiente para ser notícia? Ainda para mais quando o acusado é vereador da Câmara Municipal da capital do país? Quem é que ainda acha que a Censura acabou em 1974?
E se José Sá Fernandes é um cidadão tão correcto não deveria tornar este assunto público para poder clarificar a sua posição? E para defender o seu bom nome não seria óptimo fazê-lo pela televisão? Ah, mas afinal parece que o Sr. Vereador já tomou uma posição pública: "admite recorrer a tribunal se as forças políticas que vão disputar as eleições autárquicas em Lisboa insistirem em colocar propaganda no Marquês de Pombal". Mas parece que alguém já recorreu antes, porém a notícia que foi passada na RTP e SIC não menciona o documento apresentado pelo MMS.

Uma última questão: se uma queixa-crime contra um vereador até há uns anos atrás desconhecido da generalidade da população portuguesa é desta forma encoberta, então nos casos em que estão envolvidos nomes representativos de maior poder o que não se esconderá?

2 comentários:

Arsenio Mota disse...

Caro Fernando Sosa:

Sinto-me um pouco inibido em face deste post. Na verdade, a informação arrasta-se actualmente pelas ruas da amargura. Porém, não será assim tão importante, como informação, aquela queixa. Certamente a sua divulgação iria requerer contradita, i. e., esclarecimento do vereador apoiado em regulamentação aplicável ao caso, etc. Ora a comunicação social anda cheia de coisinhas e mais coisinhas, fechando todavia os olhinhos para os problemas e os debates urgentes que sem dúvida mais nos interessariam. Admito perfeitamente que discorde desta abordagem, terá para isso os seus motivos. Mas confesso-me farto de... p. ex., de comentários sobre comentários ao livro apreendido pela PSP de Braga escandalizada com a capa. Já nem posso ver mais aquela pintura, pobre pintor!
Saudações cordiais.

Fernando Sosa disse...

Caro Arsénio Mota,

concordemos ou não, a sua opinião é sempre bem vinda.
É claro que também acho que existem assuntos mais importantes a merecerem um debate sério, porém verifico que a Comunicação Social está cheia de supostas notícias que merecem por certo menos atenção que um possível atentado à liberdade de manifestação política. Não seria esta uma notícia para abrir um telejornal, por exemplo, porém mereceria um pouco mais de atenção, julgo eu.

Cumprimentos.