É verdade que, meio por culpa do ruído instalado à minha volta no momento e meio pela pressa em se divulgar a informação, não fiquei esclarecido sobre a amostra e como foram tratados os dados. No entanto, neste post vou tomar tais percentagens como correctas, com a finalidade de poderem ser discutidas.

Começo então pela ascensão do BE, sendo que esta posição poderá ser ou não temporária. É com moderada satisfação que vejo a CDU (que é como quem diz PCP, perdoem-me os restantes) e CDS-PP abaixo dos bloquistas. Mais do que um prémio ao crescimento aparentemente sustentado do BE – que na minha opinião começa a usar métodos demasiado semelhantes ao resto dos partidos com assento na Assembleia da República, isto é, fazendo uso da demagogia –, estas sondagens castigam os dois partidos que ocupam as 4ª e 5ª posições.
Por um lado, o PCP apenas dá mais do mesmo: os capitalistas são os exploradores demoníacos e, na posição oposta, os trabalhadores são os inocentes oprimidos. Defendem sempre o uso de «mundos e fundos» para aumentar os rendimentos da classe operária, mas nunca apresentam propostas economicamente credíveis de como o fazer. São os detractores puros, que não se preocupam em elaborar um verdadeiro projecto para o país, visto que nem os próprios acreditam que poderão algum dia ganhar eleições.
Por outro lado, temos o PP que se confunde com PP: não é gaffe, Partido Popular = Paulo Portas. Talvez esteja a exagerar, mas pergunte-se aos portugueses quais são os outros nomes de deputados do CDS. Acredito que boa parte não apresentaria mais que um nome – talvez alguns ainda se lembrem de dizer Manuel Monteiro…
O regresso de portas à liderança do partido até pode ter sido importante para o seu equilíbrio interno, mas não encontro benefício algum para Portugal.
Pires de Lima, homem de obra feita no sector privado, poderia ser importante caso chegasse à liderança, não tendo eu dúvidas que é pelo menos mais capaz do que Portas, para além de ter um estilo mais robusto e menos populista – em termos depreciativos. Mas como não se verifica uma lufada de ar fresco, vai continuando a política fácil.
Mostrada que está a minha concordância com o ranking das últimas três posições nesta lista de cinco, resta-me expressar o meu desagrado pelos socialistas se terem aproximado da maioria absoluta. Não que os sociais-democratas mereçam roubar pontos ao Governo, visto nem sequer se esforçarem devidamente, como uma oposição séria faria, por apresentar soluções para os problemas nacionais. O facto é que se eu não considero que um governo sem maioria seja benéfico para a eficaz gestão do país, também receio o que uma nova maioria socialista seja (in)capaz de fazer. Grande dilema este…
5 comentários:
As sondagens tanto poderão influênciar pelo sim, como pelo não: depende das pessoas se deixarem ou não manipular pelos resultados das sondagens.
Quanto aos nossos políticos, parecem-me todos tão repetitivos, tão apáticos, tão "sem-sal", tão desinteressados na causa portuguesa, que realmente o PS não vai ter concorrentes à altura nas próximas eleições!
Marianne
Caro Fernando Sosa:
Pondera atentamente os dados dessa sondagem de opinião eleitoral. Equaciona afinal, segundo me parece, o valor que podem ter, na prática, uns quaisquer resultados das urnas. Evidentemente, é essa a única via de decisão popular legítima num sistema democrático. Mas deixe-me perguntar: haverá lugar para as autênticas mudanças, por essa via, de que o país precisa? Penso, p. ex., na comunicação social, que foi «o poder da informação» até se tornar na «informação do poder»... Como levar à participação política esclarecida e consciente um povo longamente arredado da coisa pública e sempre desinformado? Vamos esperar milagres, nós, os incrédulos?
Precisamos, é claro, de inteligências despertas e claras com a sua em actividade, caro Fernando Sosa. Continue, pois. Eu, pedindo desculpa, apenas lembro avatares... que remédio!
Como boa educação nunca farta, volto a agradecer as vossas constantes visitas, meus caros.
Ambos os vossos comentários revelam pessimismo e o pior é que existe um real fundamento para esse estado de espírito. As vossas opiniões não podem ser contrariadas por qualquer individuo racional e com um mínimo de honestidade - dois ingredientes que faltam a muitos dos nossos políticos, especialmente o segundo.
De facto caro Arsénio Mota, também não consigo prever nenhuma mudança que interesse a Portugal proveniente dos maiores partidos nacionais, daqueles que são falados nessa tal manietada e enferma comunicação social.
A alienação dos cidadãos lusos é enorme, parecendo a sociedade civil ferida de morte. Ferimento esse mal curado na transição de ditadura para a suposta democracia. Suposta sim, pois era suposto não existirem distinções ou privilégios arbitrários, tal como era suposto que a autoridade emanasse do povo (se o povo cada vez vota menos como pode emanar seja o que for?).
Não peça desculpa caro Arsénio Mota, as suas opiniões são válidas, e muito pelo que me tenho apercebido.
Cumprimentos aos dois explêndidos comentadores que acompanham este blogue.
Já agora, excluí o comentário que estava repetido.
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