terça-feira, 3 de junho de 2008

Tristeza...

Se alguém disser que ama mais o futebol que eu, prontamente digo que é mentira. Desde cedo a bola conquistou boa parte do tempo que disponho no dia-a-dia. Seja a jogar, a ver ou a ler, gastei horas, dias, semanas e por aí fora, a devorar tudo o que está relacionado com esse desporto. Fui jogador federado na minha adolescência e contínuo activamente ligado a este mundo, embora que noutras funções. Já chorei de tristeza ao ver o meu clube derrotado em jogos importantes, assim como me arrepio cada vez que revejo as imagens das grandes vitórias. Até aos meus últimos dias idolatrarei este desporto.

Então como nunca falei neste espaço de tal assunto? Não o fiz por uma questão de bom senso: para além de já se falar/escrever demasiado na comunicação social sobre tal tema, não me parece algo fundamental para a evolução do meu país ou da sociedade ocidental. Porque toco agora neste assunto? Bem, com o aproximar do campeonato europeu de futebol somos bombardeados com conferências de imprensa de jogadores lusos de cada vez que ligamos a televisão para ver os telejornais. E que rica em informação que fica a nossa televisão: vemos os passos do Nani a tentar falar um português correcto, ou o cultíssimo Cristiano Ronaldo que até já sabe dizer umas piadas para os jornalistas, ou ainda o portuguesíssimo Pepe a explicar como deve jogar um zagueiro (uups, defesa!).

Quando eu tinha 12 aninhos até achava óptimo quando os noticiários começavam com futebol, mas depois uma pessoa vai crescendo (infelizmente os portugueses têm alguma dificuldade em crescer nesta matéria) e vai-se apercebendo que por muito bom que seja o futebol, a vida real está muito para além das fintas do Quaresma. Catástrofes naturais, educação, saúde, economia, política, direito e por aí fora, são assuntos realmente importantes para o desenvolvimento do país e do resto do Mundo. Então porque é que temos que aturar as birras do Scolari durante 20 minutos (quando não são mais!) num horário televisivo que devia ser destinado a informar os cidadãos, mas que muitas vezes está mais voltado para a desinformação.

Bom, mas não culpemos em demasia os canais televisivos (à excepção dos canais estatais, que deviam fazer serviço público e não lixo televisivo) já que eles apenas dão ao espectador aquilo que ele está disposto a absorver: sim, os grandes culpados são os espectadores no geral, já que são eles em primeiro lugar que dão atenção a tal desporto. O espectador tem o comando na mão, se está descontente com o que lhe dão pode mudar de canal, pode até simplesmente desligar a televisão!


Estou solidário com todos aqueles que, como eu, estão fartos desta barbaridade (em sentido literal!), que gostariam de puder assistir a um noticiário sério, em que fossem as notícias realmente importantes a abrir o programa. Resta-nos, meus caros, cortar as audiências a quem não as merece e procurar os outros meios de informação.

Um comentário:

Anônimo disse...

Pois é, em tempos passados o lema era dar ao portuga: Futebol, Fado e Fátima!
Quase todos percebemos porque nos serviam esses célebres três efes!
Actualmente, o que é que nos continuam a dar?
Futebol em todas as refeições.
Fado, mesmo que não seja cantado é sempre bem sofrido!
Fátima, sim, quando as pessoas já não conseguem sobreviver, pedem socorro a Deus, aos Santos, enfim todos se "agarram" a qualquer coisa que possa trazer a esperança perdida!
Infelizmente, enquanto andarmos entretidos com estes três temas, os nossos políticos vão agindo, o pior é que nunca é a favor do já citado portuga...
Marianne