quarta-feira, 21 de maio de 2008

Mais uma ideia...quase brilhante...

Surgiram nos últimos dias uns murmúrios sobre a possibilidade do Governo de José Sócrates voltar a tocar na tecla do Investimento como forma de escapar à crise. Novamente de forma errada?


Primeiro veio a confiança desmedida, ou descabida, no investimento privado, como forma de atingir o crescimento económico previsto pelo Governo. Logicamente que a conjectura internacional depressa refutou essa ideia, ainda para mais num país que não dá as condições necessárias ao sector privado para prosperar (taxa de IRC de 27,5%?! Mais vale o fundo de desemprego a ser patrão…). Assim, o crescimento foi revisto em baixa, com muitas nuvens a pairar sobre a verdadeira razão para o valor da nova previsão.


Agora alguém se lembrou do Investimento Público, como forma de continuar a crescer e baixar o desemprego, ou seja, para resolver as questões de imediato (eu acredito na importância deste tipo de investimento, mas como ferramenta de Longo Prazo). Sonham, então, com um New Deal à portuguesa. O problema é que o plano original de Roosevelt remonta à década de 1930. A complexidade económica de hoje é muito maior. E como os nossos ministros das Finanças e Economia devem saber, a Teoria Keynesiana do pleno emprego começou a ser posta em causa na década de 1970, com o 1º choque petrolífero e o surgimento da estagflação (desemprego e inflação elevados).


E para tornar a luz de salvação do Investimento Público ainda mais exígua, refira-se a falta de credibilidade dos Governos portugueses na forma como investem, para além daquilo em que investem (gosto tanto de ir ao Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, pois há sempre um espaço imenso à minha volta nas bancadas e as bilheteiras nunca têm fila), já para não referir o estranho hábito das obras públicas verem duplicadas tanto os seus orçamentos como os seus prazos de conclusão.


Também é interessante num ano apontarem a consolidação das contas públicas como um grande objectivo e que ainda está longe de ser alcançado e uns meses depois desceram a taxa de IVA em 1p.p. (por acaso acho que no longo prazo se deve fazer um esforço para reduzir ainda mais este imposto regressivo, mas se o momento é de consolidação…) e darem importância ao Investimento Público, o mesmo que levou um corte no Orçamento de 2007. É o velho hábito dos ciclos económicos “coincidirem” com os ciclos eleitorais.


Em jeito de conclusão, não acredito que este Governo vá fazer milagres no Curto Prazo, tanto por falta de meios como por falta de capacidade/vontade e ainda acredito menos se o tentarem fazer através do tipo de investimento já referido. Caso estiverem certos e eu errado, todos ficamos a ganhar!

Um comentário:

Anônimo disse...

Investir ou não investir? Eis a questão!
As empresas estrangeiras não investem em Portugal e as que já cá estavam estão a mudar-se para outros países!
As empresas portuguesas preferem não arriscar, pois é sempre melhor receber um subsídio do que ter de pagar impostos, lol!
Quanto às promessas deste (des)governo eu só acredito em duas: aumentos de todos os bens de consumo e encerramento de tudo o que não der lucro.
A propósito: quando vai encerrar este governo?
Marianne